Apressada ela tira as chaves da sua mala, quer tanto chegar a casa para se fechar no seu único conforto, aquele quarto. Pensa em como não sabe quem ela é ou no que se tornou, perdeu o seu caminho, e assim chorou como à muito tempo não chorava, havia chegado ao seu limite e sabia disso porque uma das coisas que ela mais evitava era chorar. Na verdade, ela tinha as suas razões para evitar, pois quando chorava tinha a certeza do quanto estava vulnerável, precisando de ajuda, procurando uma saída, completamente sem rumo... E não adiantava dizer que tudo iria passar ou que chorar iria fazê-la melhorar, já que naquele momento ela poderia sentir um alívio, uma melhora, mas quando toda a choradeira acabasse, depois de pensar e refletir um pouco, a dor ainda estaria com ela.
O choro foi passando, aliás de nada servia chorar pois não seria assim que resolveria os seus problemas.. Mas como os resolver? Como se encontrar? Ela queria deixar todo o seu passado para trás, todas as pessoas que lhe faziam mal, queria novas pessoas, novas histórias, queria começar do 0 para a sua vida ganhar algum rumo, queria mudar de sitio, mudar de faculdade, mudar de ares, queria fazer novas escolhas, mas como as fazer sabendo que poderá arrepender-se? E se não as fizer saberá que chorará todos os dias restantes por não ter dito a coragem de começar de novo. E nesta vida que ela se encontra, ela não quer mais estar, tem-se perdido constantemente. Chamem-lhe de cobarde, pensem que ela estará a fugir, ela só esteve demasiado tempo no mesmo sitio tentado consertar tudo, acabando por se destruir a ela própria. Chegou o dia de pensar nela, de fazer algum bem somente a ela.. Mas ninguém entende e por isso ela fecha-se não só no seu quarto, mas de tudo e de todos.




































