As pernas
cansadas do nada. Quebradas. Estou sem forças. Suores frios ou quentes. Já não
tenho sensibilidade. Perdi-a, por aí, entre tantos erros, desgostos e
desilusões. Exausta, cansada de tantas perdas. A cabeça pesada. Quase a explodir. Não me mexo. Apego... expetativas, são tantas. Parece que nunca aprendo. Inseguranças, medo.. tanto medo.. ele persegue-me para todo o lado, nunca me sinto suficiente. Aliás sinto-me um nada, neste exato momento. Estou presa
nesta cama que desconheço cada vez mais. Este antro de suor e dor. Que ninguém
sabe as histórias que esconde. Os segredos e as lágrimas que tantas vezes
absorveu. Esta cama, que me conhece melhor do que qualquer ser humano alguma
vez me irá conhecer. É ela, agora, o meu único e fiel porto de abrigo.

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