"escrevo para salvar a vida de alguém, provavelmente a minha própria vida"

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013




 


Ainda ontem aqui estavas deitado ao meu lado a aconchegar-me e a vermos televisão juntos. Ainda ontem
eu era criança. Tiveste aquele AVC sem previsão e a partir daí nunca mais foste o mesmo, mas isso nunca fez mal porque eu podia abraçar-te como nunca, eu podia encher-te de mimos e dizer-te o quanto gostava de ti, mesmo que às vezes não te lembrasses que eu era a tua menina, mesmo que não te lembrasses de mim ou do meu nome. Nunca fez mal, porque eu te tinha à mesma comigo.. Eu era tão nova, eu percebia tão pouco da vida, mas eu só queria estar ao teu lado nos piores momentos, acho que nesse ano o hospital foi a minha segunda casa e o coração apertava tanto de não saber se era naquele dia ou no outro que podias partir de repente.. Tu sempre foste tão forte, tu ainda aguentaste uns anos por todos nós e no momento em que estavas melhor, partiste sem avisar. E é neste mês, neste preciso mês em que eu delirava passar o natal contigo.. lembraste de abrirmos sempre os presentes juntos? Este mês faz 3 anos que tu partiste e deixaste uma saudade inexplicável dentro de todos nós, mas para mim todos os anos a tua morte repete-se, eu não consegui avançar no tempo, ele passa mas eu continuo ancorada no dia da tua morte. Que dor desconhecida é esta que me devora por todos os lados? Ainda ouço a voz da minha tia naquela noite gelada do dia 21 de dezembro "O avô morreu, não chores" e eu não chorei.. nem nesse dia, nem depois. Como é que só passado 3 anos estou a cair na realidade? É inexplicável, aquilo tudo pareceu-me tão irreal, eu não quis acreditar, e tu sabes que eu não acreditei durante muito tempo, mas chega de fingir, chegou a hora de fazer finalmente o teu luto, tu mereces todas estas lágrimas! Mas sabes avô, sinto-me culpada, sinto que não aproveitei o tempo que ainda havia contigo e gastei-o com a pessoa que me fez mais sofrer. Perdoa-me, eu faria tudo para ter o teu abraço mais uma última vez, para dizer o quanto te amo uma última vez. Será que quando partiste saberias o quanto te amo? Nunca te esqueças que tu és o meu pai, o meu confidente de todas as horas, o meu porto de abrigo, o meu fiel amigo, és o meu maior orgulho avô.


Continuo a dizer-te baixinho ao ouvido: Volta para junto de mim, por favor. Peço-te que não me faças desesperar mais. Não aguento a tua ausência e este espaço não me consola. Espero-te ansiosamente todos os dias da minha vida.


 

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