É
difícil lidar comigo, é complicado entender-me. Às vezes grito, outras
vezes não suporto nem ouvir a minha voz. Às vezes acho-me sem graça e
chata, outras vezes discordo disso. Às vezes rio à toa, outras vezes até
me dói a alma só por ter de sorrir para alguém. Às vezes não tenho a
mínimo de vergonha, outras vezes não consigo dizer “olá” a um estranho.
Às vezes odeio toda a gente, outras vezes acho
que foi precipitado generalizar. Às vezes acho-me cheia de amigos,
outras vezes acho que sou a pessoa mais solitária. Às vezes acho que
odeio, outras vezes acho que gosto e em ambas as vezes, quase sempre
mudo de opinião. Às vezes acho-me burra por ter errado, outras vezes
acho-me inteligente por ter aprendido com o erro. Às vezes sinto-me
carente, outras vezes não quero que ninguém me abrace. Às vezes não
consigo dormir, outras vezes não consigo acordar. Às vezes acho que
chegou ao fim, outras vezes acho que é só o começou. Às vezes sou
segura, outras vezes sou um poço de insegurança. Às vezes sinto demais,
outras vezes sou uma pedra de gelo. Às vezes acho coisas demais, outras
vezes acho que não acho nada e sinto-me muito confusa para entender
isso. Às vezes sento-me perdida, outras vezes continuo a sentir-me
assim. Odeio decepcionar, mas às vezes nem percebo o quanto consigo
magoar alguém só com as minhas palavras.
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