"escrevo para salvar a vida de alguém, provavelmente a minha própria vida"

quinta-feira, 30 de maio de 2013







Peço-te
que me leias com o coração, que guardes as palavras que tenho para ti e
que lhes dês a vida que só tu podes dar. Precisas de um “basta”. De um
adeus que não se arraste nas sílabas ou de um ponto nas reticências.
Precisas de estar fora de ti, das lembranças, do que recordas e faz
doer. De sair da tua cabeça e deixar as coisas do coração a correr de
lado. É que mais tarde ou mais cedo aquilo
que deixamos para trás, apanha-nos. E tu sabes que é quando ainda
estamos apaixonados que recordamos as coisas sem sentido, os gestos com
palavras e as palavras sem qualquer gesto. Recorda-se tudo como sendo
bonito. Porque o foi. Porque de tão simples ser, é bonito e não há nada
que lhe possa comparar. E eu sei que por vezes te apetece gritar num
silêncio que te pesa e magoa. De sair para a rua e fugir para nunca mais
voltar. Mas basta. Di-lo em voz alta, para ti e para o teu coração que
tanto te pesa. Arruma tudo o que pensaste estar arrumado mas que na
verdade nunca está. Arruma e pronto, deixando para lá. Ali, ao fundo
do coração, naquele canto. Guarda-o em forma de praia, para te fazer
sorrir. Guarda uma ou outra flor, as sombras que não podes tocar e
depois sim, guarda a dor. Deixa-a por ali com as lembranças bem
escondidas, num sítio onde não te façam doer. Tem cuidado a
arrumá-las..não as deixes à superfície para que ninguém lhes possa
tocar. Leva-as para o fundo, bem no fundo dele. Onde não as possas ver,
nem saber. Enterra-as com as palavras, com o amor que também lá foi.
Respira..e ganha o ar a que te sabe esta nova vida. E sorri ao de leve. E
diz-me, agora está melhor, muito melhor.

segunda-feira, 27 de maio de 2013







Tu pensas que é o fim do mundo, mas não é. Tu
achas que a tua dor é a pior de todas as dores já existentes, mas estás
enganada. Fácil é sofrer, passar os dias trancada no quarto, chorar até que
a última gota do teu corpo se esgote. Difícil é superar. E mais difícil
ainda é ficares convencida de que superaste. Fácil é acabar com a vida para
acabar com a dor, difícil mesmo é levantares-te todos os dias com a mágoa dentro de ti. Dizer que estás bem é fácil,
complicado é estar
. Escutar aquela música, sentir aquele cheiro e
visitar aquele lugar parecem ser coisas que ardem no fundo da alma,
porque as lembranças doem como álcool numa ferida aberta. Mas a verdade é
que não sentir mais nada, dói bem mais. O fim de um sentimento é mais
triste do que o seu fim propriamente dito. É mais difícil enterrar
histórias, momentos e sorrisos. Enquanto ainda há uma
faísca no meio de um fogo apagado, de certa forma também ainda há
importância. Sofrer por te importares é natural, estranho é sofrer por não
fazer mais diferença alguma. Continuar dentro de uma bolha de solidão e
sofrimento é escolha tua, assim como lutar para sair dela também
. Fácil é ficar a ver a vida passar, ficando estática no mesmo lugar, amargurada,
desiludida, cabisbaixa. Difícil é assumir que estás no fundo do poço e,
sim precisas de ajuda. Difícil é não te deixares abalar
por nada. Fácil é chorar pela cicatriz adquirida, difícil é aceitá-la
como uma tatuagem interna que faz parte de ti.

sexta-feira, 24 de maio de 2013







Complicado, não é? Essa coisa de querer ir atrás de
alguém, mas não poder, porque tu sabes que não adiantará de nada, que
será em vão.. que apenas estarás a decepcionar-te ainda mais. Tu sabes... sabes que o mais provável é seres ignorada. Não adianta
ir atrás de alguém que nem olhar para ti consegue, que não dá a mínima para o que ambos partilharam.. Dói, eu sei que dói. Sei que a realidade é dura de se viver, mas por mais que as coisas estejam difíceis, deves sorrir. Tu já tentaste mudar isso e até já perdeste as contas de quantas vezes
deixaste o teu orgulho de lado por ele.. Aceita, aceita que dói menos.



segunda-feira, 20 de maio de 2013










Da próxima vez que nos
virmos, não finjas que que nunca fomos nada. Nós não somos desconhecidos, então
não ajas como se fôssemos. Porque no fundo, tu sempre soubeste que nós nunca íamos dar certo, tu sempre soubeste que tudo o que eu fiz foi disfarçar,
disfarçar tristeza em arrogância, disfarçar amor agindo como se não o houvesse.
Por favor, não desvies o caminho de mim novamente, não me evites, não fujas do
meu olhar, não mudes de calçada ao me veres pela rua, tu sabes que não podes
fingir que não fomos nada. E eu sei que tu não conseguiste esquecer, eu
conheço-te. Não andes por aí a ignorar quando escutas o meu nome, porque eu sei
que enxurradas de memórias trespassam a tua mente quando escutas falar sobre
mim. Eu sei que tu sentes uma imensa vontade de perguntar sobre mim, mas eu
também sei que tu queres ser discreto, que tu queres provar a todos que
superaste, que esqueceste
. Assim como eu.

domingo, 19 de maio de 2013










 Ao
fim de alguns dias a tentar não me importar com nada, chega sempre o momento em
que a minha cabeça faz questão de me lembrar todos os meus problemas. Eu finjo sempre estar bem. Quando tenho pensamentos
negativos, respiro fundo e penso noutras coisas, ou então digo para mim mesma
"calma, tu és forte, não penses nisso. Não chores, não podes chorar".
E mal ou bem, o meu coração às vezes lá se acalma. Parece que é quando dou um passo para a frente que as coisas se desmoronam.. e depois de engolir tantos sapos, de
ver coisas e ouvir o que não devia, de perceber que afinal existe uma nuvem negra à minha
volta e de ver a realidade a insistir para que eu saiba das coisas, sinto um nó
dentro de mim. Sinto uma vontade de explodir com todos. Estou
cansada disto. E ainda assim, finjo que está tudo bem.

quinta-feira, 16 de maio de 2013




estou cansada desta vontade de te querer e te ter só quando queres.





Sabes essa coisa de ser forte o tempo todo? Pois eu
não estou a conseguir mais. O meu coração não anda a aguentar estas coisas todas. Esta vontade de te tocar novamente, esta vontade de te beijar e logo a seguir afastarmo-nos como se nada tivesse acontecido.. O meu coração não aguenta tudo isto. Eu tento ser forte à muito tempo
ou então tento fingir. Mas chega a uma hora em que a gente não consegue mais, em que a gente se cansa de fingir estar bem, cansa das pessoas,
cansa de fingir sorrisos, cansa tentar explicar o que se passa dentro
deste coração, cansa de tudo e de todos. Chega uma hora em que a gente
quer até desistir, mas não desiste, porque lá no fundo temos esperanças que tudo dará certo algum dia. Chegamos até pensar em nos desligar
deste mundo, mas aí lembramo-nos da nossa família, dos nossos amigos
verdadeiros. Todos os dias eu acordo, mas não é como antes. Antes eu
acordava feliz, acordava a sorrir, com vontade de viver. Hoje eu ando deprimida,
triste pelos cantos, querendo afastar-me de todos para puder ficar sozinha.
Eu penso em desistir de tudo. Mas eu penso que lá no fundo, no fim de alguma coisa, de algum dia, vai dar
tudo certo.

segunda-feira, 13 de maio de 2013







"Nós nascemos para sermos sozinhos e vivemos para sermos
congelados pelo inverno de nossa alma." Suicidamos a nossa alma
diariamente à espera de novas aventuras intensas e drásticas. À
esquerda da minha casa mora a solidão e a dois quarteirões daqui mora a
felicidade. "Seja feliz", ela declama a todos que passam à sua frente. Mas, como ser feliz se a estrada tem tantas curvas? Como ser feliz se constantemente estamos de luto sobre a própria morte? Que por
ironia do destino é minha vizinha, mora à frente da minha casa. "Vive
enquanto há tempo" ela sussurra aos que passam por ela. Amores mal
resolvidos, mal começados, mal terminados e mal aproveitados visitam-me
diariamente, eles preferem um chá amargo. Quando tu choras mais do que
sorris não é amor.
É doença, esta que frequentemente está na cadeira do
balanço na varanda da morte.
Diariamente vejo a lágrima, ela limpa as
ruas. Mas, sem querer inunda a minha casa, o meu quarto, a minha vida. A
paixão, pobre mendiga, sempre a vejo na porta da morte, eu acho-a meio
louca. Mas ela não é louca, ela é que me deixa literalmente louca. No meio
de todos os meus vizinhos, moras tu. Mas porque é que tu moras no final da
rua? Porque é que tu moras na esquina da rua da saudade? A tortura
geralmente traz-me notícias tuas e eu saio de casa com vontade de ir ter contigo. Mas a pena
leva-me de volta para casa, serve-me uma água com açúcar e sai, ela já é tão
da casa que nem pergunta onde é que ficam as coisas. No final da tarde
vejo o carteiro a passar, ele chama-se amor. Acho-o tão sem noção,
coitado. Ele manda o jornal para a minha porta e aí, vejo que a solidão se
mudou. Confesso que fiquei aliviada. A casa ao lado está vazia. Contudo, ao amanhecer noto que há muito barulho na casa vizinha. Quando chego à varanda, vejo que o meu novo vizinho não és tu, mesmo que eu tenha sonhado com isso. Mas, o meu novo vizinho é a ilusão. E logo de seguida volto à realidade e lembro-me que "nascemos para sermos sozinhos e
vivemos para sermos congelados pelo inverno de nossa alma."

sexta-feira, 10 de maio de 2013







Saudade, apenas saudade. Saudade é uma palavra tão
assustadora que só quem está a sentir sabe o que realmente significa.
Saudade de quase tudo, saudade do simples facto de como tu me
convencias que tudo parecia mais fácil quando estávamos juntos, de como tu fazias as coisas parecerem simples apenas com um abraço teu. No primeiro dia que nós nos encontrámos, lá estava eu..toda timida, mas feliz e cheia de borboletas a percorreram-me o estômago. Tu conseguiste fazer-me sentir algo que
nunca
ninguém conseguiu antes. E eu interrogo-me, será que eu ainda vou
encontrar alguém que possa fazer-se sorrir como tu me fazias?
Mas o que eu realmente queria era fechar-me de
tudo, fechar o meu coração, sendo que isso parece quase impossível. Quando menos esperamos, lá estão novamente os sentimentos envolvidos. Contudo, todos sabem que eu
tenho os meus motivos para não acreditar no amor, para não confiar em
ninguém. Mas quanto a ti, meu primeiro amor, eu lembro e já não dói mais, mas dá saudade, uma saudade que aperta no peito e sufoca a alma.




Tenho vontade de ti, mas também tenho medo.


Eu acredito nas casualidades, nos encontros, nas
passagens. Nas conversas que temos, nas músicas que cantamos. No que
somos e nunca deixamos de ser. Eu acredito que podemos ser muito fortes,
muito mais. Podemos ser como todos e todos podemos ser capazes. Eu quero as tuas mãos, as tuas ideias e defeitos, que me ensines o teu jeito, enquanto
aprendes o meu. Quero que faça sentido, que seja proibido, mas que entre
nós não exista lei. Quero ser tudo o que tem graça, o que tem gosto e
dá para sentir. Quero o que mais me dá vontade e quero vontade para
prosseguir. Quero voar, mergulhar, morrer e matar a vontade de te querer.

quarta-feira, 8 de maio de 2013










Tu podes não ser o primeiro homem dela ou o último
homem dela. Mas és o único que ela tem. Ela amou antes, pode ser que ela ame de novo.
Mas se ela te ama agora, o que mais importa? Ela não é perfeita - tu também
não és e vocês os dois podem nunca ser perfeitos juntos, mas se ela te faz rir, se te faz pensar duas vezes e admite ser humana e cometer erros, segura-te a ela e
dá-lhe o máximo que tu puderes
. Ela pode não estar a pensar em ti a cada
segundo do dia, mas ela dará uma parte dela que sabe que tu podes magoar - o seu coração. Então não a magoes, não a analises e
não esperes mais do que ela pode dar. Sorri quando ela te fizer feliz, diz-lhe que a amas, diz-lhe quando ela te deixar com raiva e sente a falta dela quando ela não estiver
por perto.

segunda-feira, 6 de maio de 2013







Cansa sorrir sem ter a mínima vontade. Cansa tentar
demonstrar algo que eu não estou a sentir, só para não ter que encarar o
quão vazia eu estou por dentro. Cansa tentar enganar-me a mim própria, mesmo sabendo que isso é quase sempre impossível. Cansa simular alegria, felicidade,
euforia, sendo que o meu coração não aguenta nem um pouco mais. Dói achar
que as coisas vão melhorar, que o meu dia finalmente está claro,
mas é tudo para recomeçar uma nova tempestade. Eu canso de me lamentar,
de me desculpar, de esperar e chego a achar que nada mais vai dar
certo. Viver é perigoso e eu tenho que ser forte, tenho que estar com os
pés bem assentes no chão e com a cabeça sempre erguida, seguir em frente
independente das dores, das decepções, das lembranças e das desilusões
,
mesmo não sendo fácil.

sábado, 4 de maio de 2013







Para quem um dia foi
o texto mais lindo que eu pude escrever, hoje tornou-se num ditado popular: antes só do que mal acompanhada. Não é de se
estranhar algo que teve um início sem querer, pudesse ter um fim tão repetitivo.
Não que eu quisesse esse fim, eu não o quis, porém as tuas atitudes instalaram-se como chumbos numa balança em cima do meu amor, em toda a confiança que
eu tinha por ti, que não vamos negar, desde o início era só um fio. Eu tentei,
tentei muito, mas tu não quiseste mudar, não fizeste questão de saber
como eu me sentia naqueles dias em que eu estava mal. Dos últimos tempos até ao fim, o
silêncio instalou-se diante de nós e tu não fizeste nada para dissipa-lo; as nossas
palavras de amor já eram muito escassas e tu não me fizeste nenhum carinho
para que isso não fosse notado; os nossos beijos e juras de amor já não eram há
muito tempo declarados e tu simplesmente me deixavas a falar sozinha ao
telefone ou em algum chat de rede social, pois para ti tudo já era mais
importante que eu. Quando eu paro e penso que isto acabou, eu paro e tento
lembrar-me de como era no início, no que me fez querer-te e vejo que não tem um
porém nada exato; tu mostraste ser alguém que não eras e só no final eu me apercebi disso, eu achava-te o mais charmoso, eu
achava-te aquele ser esculpido que nunca iria olhar para mim; mas foi aí que tu
olhaste e deu no que deu. Eu nunca imaginei que seria capaz de me apaixonar por
um rapaz como tu. Aí do nada, apareceste tu, totalmente
o oposto de mim, com doces palavras e uns olhos
capazes de amolecer qualquer
coração de gelo. Os teus defeitos são totalmente visíveis, toda a gente me avisou, toda a gente os viu, menos eu...para mim tu eras o único do mundo com a capacidade para me fazer feliz. Eu não sei
se é esse o efeito do amor, de deixar as pessoas meio lunáticas a ponto de
perdoar tudo com medo de perder a outra pessoa, ou era apenas um jeito parvo do
meu coração dizer que eu precisava de ti a qualquer momento, em qualquer
circunstância. Mas, acabou do mesmo jeito singelo que começou, acabou. Sem
prever, sem aviso, sem recadinho colado na geladeira, apenas se desfez sem ter
o que fazer ou o que falar. Foi desfeito, dissipado como uma estrela cadente
que simplesmente foge aos meus olhos no grande e infinito céu azul, e o que
posso eu dizer sobre isso? Melhor sozinha hoje, do que a aturar alguém que nunca me amou e que me mentia na cara sem um pingo de respeito.