"escrevo para salvar a vida de alguém, provavelmente a minha própria vida"

segunda-feira, 27 de maio de 2013







Tu pensas que é o fim do mundo, mas não é. Tu
achas que a tua dor é a pior de todas as dores já existentes, mas estás
enganada. Fácil é sofrer, passar os dias trancada no quarto, chorar até que
a última gota do teu corpo se esgote. Difícil é superar. E mais difícil
ainda é ficares convencida de que superaste. Fácil é acabar com a vida para
acabar com a dor, difícil mesmo é levantares-te todos os dias com a mágoa dentro de ti. Dizer que estás bem é fácil,
complicado é estar
. Escutar aquela música, sentir aquele cheiro e
visitar aquele lugar parecem ser coisas que ardem no fundo da alma,
porque as lembranças doem como álcool numa ferida aberta. Mas a verdade é
que não sentir mais nada, dói bem mais. O fim de um sentimento é mais
triste do que o seu fim propriamente dito. É mais difícil enterrar
histórias, momentos e sorrisos. Enquanto ainda há uma
faísca no meio de um fogo apagado, de certa forma também ainda há
importância. Sofrer por te importares é natural, estranho é sofrer por não
fazer mais diferença alguma. Continuar dentro de uma bolha de solidão e
sofrimento é escolha tua, assim como lutar para sair dela também
. Fácil é ficar a ver a vida passar, ficando estática no mesmo lugar, amargurada,
desiludida, cabisbaixa. Difícil é assumir que estás no fundo do poço e,
sim precisas de ajuda. Difícil é não te deixares abalar
por nada. Fácil é chorar pela cicatriz adquirida, difícil é aceitá-la
como uma tatuagem interna que faz parte de ti.

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