"escrevo para salvar a vida de alguém, provavelmente a minha própria vida"

quinta-feira, 30 de maio de 2013







Peço-te
que me leias com o coração, que guardes as palavras que tenho para ti e
que lhes dês a vida que só tu podes dar. Precisas de um “basta”. De um
adeus que não se arraste nas sílabas ou de um ponto nas reticências.
Precisas de estar fora de ti, das lembranças, do que recordas e faz
doer. De sair da tua cabeça e deixar as coisas do coração a correr de
lado. É que mais tarde ou mais cedo aquilo
que deixamos para trás, apanha-nos. E tu sabes que é quando ainda
estamos apaixonados que recordamos as coisas sem sentido, os gestos com
palavras e as palavras sem qualquer gesto. Recorda-se tudo como sendo
bonito. Porque o foi. Porque de tão simples ser, é bonito e não há nada
que lhe possa comparar. E eu sei que por vezes te apetece gritar num
silêncio que te pesa e magoa. De sair para a rua e fugir para nunca mais
voltar. Mas basta. Di-lo em voz alta, para ti e para o teu coração que
tanto te pesa. Arruma tudo o que pensaste estar arrumado mas que na
verdade nunca está. Arruma e pronto, deixando para lá. Ali, ao fundo
do coração, naquele canto. Guarda-o em forma de praia, para te fazer
sorrir. Guarda uma ou outra flor, as sombras que não podes tocar e
depois sim, guarda a dor. Deixa-a por ali com as lembranças bem
escondidas, num sítio onde não te façam doer. Tem cuidado a
arrumá-las..não as deixes à superfície para que ninguém lhes possa
tocar. Leva-as para o fundo, bem no fundo dele. Onde não as possas ver,
nem saber. Enterra-as com as palavras, com o amor que também lá foi.
Respira..e ganha o ar a que te sabe esta nova vida. E sorri ao de leve. E
diz-me, agora está melhor, muito melhor.

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