Não queria que isso se tornasse cansativo, monótono ou exagerado demais,
mas tu, mais do que ninguém sabes o quanto eu odeio ser previsível e o quanto
eu consigo ser isso quando escrevo. Ainda para mais se o destinatário tem o teu
nome. Não vou pedir-te para não me telefonares mais ou para que
pelo-amor-de-deus-me-telefones. O triste é ver que todo aquele amor virou um
mero “tanto faz”. E mais triste ainda é reconhecer que eu não tenho mais
motivos alguns para fingir que sou forte o bastante e aguentar tudo sozinha. Eu
desabo mesmo, choro mesmo, grito mesmo, bato o pé. A melhor parte de tu teres
saído da minha vida, é que eu tive espaço para entrar nela. Por
mais que não tenha mais sentido escrever sobre o que fomos, tão pouco tentar
escrever sobre outras pessoas procurando os seus traços no meio das palavras
embaralhadas.
Queria que tu soubesses que eu ainda sinto aquela compulsiva
vontade e necessidade de encher papéis com trechos de qualquer coisa que me vem
à cabeça. Eu gostava de conseguir silenciar as minhas ideias e guardar as dores
para mim, como sempre fiz antes de quebrar as barreiras e compartilhá-las
contigo. Ainda dói, acreditas? Dormir sem o teu “boa noite princesa da minha
vida” dói. Não ter o teu colo, o teu ombro ou as pontas dos teus dedos gelados
fazendo carinho no meu cabelo dói. Dói ver as fotos, escutar as músicas ou sair
de casa e conhecer gente mais interessante e divertida que tu. Pergunto-me
quando é que eu estarei curada. Só espero, que um dia mais tarde quando leres
tudo aquilo que escrevo a teu respeito, que uma ponta de arrependimento
te toque um pouco mais fundo.
Até te desejava o melhor, mas já me tiveste a mim.

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