"escrevo para salvar a vida de alguém, provavelmente a minha própria vida"

segunda-feira, 24 de junho de 2013







Eu nem sinto tanto a tua falta. Eu sinto falta de
quando acordava com tua mensagem de bom dia a pedir-me um sorriso. Ou de
quando tu me ligavas tarde à noite a perguntar se eu estava a dormir
e, mesmo que eu estivesse eu dizia que não, porque não queria correr o
risco de não ouvir tua respiração do outro
lado da linha. Eu sinto falta de quando, no meio de uma conversa, nós ficávamos em silêncio e tu soltavas aquela tua gargalhada que eu tanto
adorava: simples, discreta, de quem pensa alguma coisa e não quer falar.
E tu nunca falavas. Sempre me deixavas com um milhão de pensamentos e
incertezas. Eu sinto falta de
quando ficava doente ou sentia dores de cabeça e tu brigavas comigo por
não me cuidar corretamente. Tu ligavas a pedir-me para que eu tomasse os comprimidos e eu dizia que não. Mas tu insistias e não desligavas até eu o fazer. E eu? Eu achava a coisa mais bonita do mundo,
esse teu jeito implicante, de quem cuida por querer o bem. Eu sinto
falta de quando escutava os teus planos e, sem esperar, ouvia-te a colocar o
meu nome entre eles. Era um futuro tão incerto, como nós os dois. E que
parece tão mais errado agora. Eu sinto falta de
quando eu te tinha a ti, para contar tudo o que acontecia comigo. Falta da
tua presença, da tua companhia, da tua cumplicidade. Mas, falta de ti? Não. Juro que não. Eu sinto falta de quando tu ficavas chateado quando um rapaz qualquer me elogiava e eu agradecia. Eu perguntava-te
se era ciúmes e tu respondias com a maior pose de durão: "não", mas minutos
depois tu mudavas logo de ideias, dizendo que era ciúmes sim. E que eu
era tua. Eu sinto falta do que eu quase fui para ti. Falta do que nós
quase fomos
. E,
mesmo sabendo que nunca daríamos certo, sinto falta de acreditar nas
tuas palavras, mesmo que elas tenham sido mentira, mesmo assim,
eu sempre me alimentei delas. Talvez, seja por isso que eu sinta tanta
falta. Não de ti. Mas, desse quase que nós sempre fomos. Dessa metade
que não me deixa ser inteira em nada. E não me deixa ser inteira com
ninguém.

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