Eu ia escrever-te qualquer dia destes, tenho um
monte de coisas para te contar, daquelas coisas que nós temos vergonha
de dizer porque soarão clichês demais ou por medo, não sei. Tenho
passado por coisas difíceis, tu deves lembrar-te daquelas tempestades
que eu enfrentava. Perdi as minhas vontades, perdi os meus quereres, a minha
identidade. Desconheço-me. A única coisa que tenho feito nos últimos
meses é sentir dor. Até
tentei expulsar este sentimento deprimente de mim, procurei uns amigos
mas não encontrei nenhum que ouvisse o meu coração como tu o fazias. Às
vezes lembro-me daquelas nossas conversas sem fim. De vez em quando eu choro também. É bom exorcizar estes
monstros que carrego comigo através do meu choro. Eu também sinto
saudade, de vez em quando. Não sei se isso é bom, mas faz-me um bem danado
lembrar que um dia tive alguém que escutou a minha alma a pedir socorro, sem
eu precisar fazer um único som com a minha voz.

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