"escrevo para salvar a vida de alguém, provavelmente a minha própria vida"

quinta-feira, 11 de abril de 2013

















Tu já foste meu. E admitir que não és mais, já não dói. Mas será que algo
dói em ti? Não importa. Perguntas como "será que ele sente falta?" ou "será que
ele volta?" deixaram de ter um valor significativo. O "será" não é mais uma
hipótese amedrontadora. E isso é tão, mas tão bom de dizer. Talvez tu conheças
a sensação, afinal ela tocou-te primeiro. Mas o que importa é que ela acabou
por me tocar também: a sensação de liberdade. Olha como eu respiro calma e
tranquila agora. Olha como os meus olhos permanecem sem lágrimas algumas ao
afirmar isto. Olha como eu olho a vida colorida e risonha, mesmo sem ti. O
tempo passou, percebeste? Eu acabei de me dar conta disso. E o melhor: sem rastos
tristes, sem traços de raiva, sem amargura alguma. Eu pensava que jamais me
libertaria das correntes que me prendiam a ti, mesmo que elas estivessem
sempre vazias, principalmente de sentimentos. E eu enganei-me, de
novo. E nunca pensei que estar enganada trouxesse uma paz de espírito assim.

domingo, 7 de abril de 2013







Quando está a ir tudo bem, eu tenho sempre a sensação
de que alguma coisa, no fundo, está muito errada. É como se um
relacionamento saudável fosse impossível no meio desta merda toda. E
quando eu não posso ver os erros, eu fico com essa certeza de que estou a ser enganada. Sendo que fico a procurar, a investigar, revirando o mundo para
encontrar os vacilos, as mentiras, os motivos para terminar. Percebes a loucura?
É como se ninguém me pudesse amar..de tanto brincarem comigo qualquer carinho me parece suspeito. Percebes
a tortura? Fico a oschilar entre o confiar e o desconfiar, querendo viver
uma história leve e sempre a afundar-me nas minhas dores e
cicatrizes. Mas como é que eu me poderia entregar, sem antes saber se
posso ir inteira? Como posso confiar de novo, sem saber se vai ser
realmente diferente? Quero alguém que me ajude a sarar as minhas feridas, não alguém que me faça ainda mais mal.
Talvez eu até esteja errada, e deva dar assim uma oportunidade de vez em quando. Mas o medo é tanto...  


Se uma pessoa não tem
paciência nem para conquistar a minha confiança e afastar os meus medos, o que
eu posso eu esperar?