"escrevo para salvar a vida de alguém, provavelmente a minha própria vida"

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012







No fundo, no fundo eu sou frágil. Gosto de parecer uma pedra de gelo,
uma barra de ferro, mas no fundo, sou um pedaço de vidro, um papel de
carta que se não tiverem cuidado se pode rasgar, um enfeite de estante que quebra. O meu lugar é
no colo de alguém que saiba cuidar de mim, que saiba dar de si
. Eu
preciso de cuidados, por mais que eu diga que sei o que ando a fazer,
por mais que eu diga que sei cuidar de mim. Ninguém é forte o bastante a ponto de
conseguir viver sozinho. Ninguém é tão forte quanto dizem ser. Todos nós precisamos de um carinho, de um um aconhego quando a coisa aperta. O problema é que queremos que as pessoas entendam como nos estamos a sentir, mas a verdade é que nem nós mesmos sabemos. O problema é que
existem pessoas que se importam, mas não acreditamos em nenhuma delas. É
uma espécie de paradoxo. Fugimos na intenção de que alguém nos procure.
Vamos embora na intenção que nos peçam para ficar. Não dizemos, mas
queremos que percebam.

domingo, 30 de dezembro de 2012













E quando queremos
fugir de nós mesmos, o que fazer? E quando a cegueira interior toma conta de nós e faltam motivos para continuar? E quando se perde alguém que fazia todo o
sentido e quando te esforças tanto por esse alguém e retribuem-te com nada? Zé, começar do zero
dói, magoa, fere, falta força, coragem, ânimo, e os teus erros anteriores cobrem-te como um cobertor impuro, assombram-te e trazem sobre si nuvens negras
que escurece, esfria e congela tudo aqui dentro. Saber quem eu sou, eu já não
sei, saber quem são os que importam para mim também não. Eu desconheço-me e os
desconheço igualmente. Nem saber se quero descobrir sei, tenho medo de
descobertas piores, de mais fantasmas, monstros mais gigantescos. É isso,
somos assustadores, somos decepcionantes e além de tudo, somos complicados e amor à nossa volta é difícil de encontrar. O que fazer zé? O que fazer?