"escrevo para salvar a vida de alguém, provavelmente a minha própria vida"

quinta-feira, 24 de abril de 2014


Estou bem. Sim. Bem ferida. Bem exposta. Bem dorida. Por dentro bate um coração cheio de cicatrizes Por dentro, um poço cheio de lama. Por dentro, um saco furado, tudo vazio. E eu, estou bem. Bem aos cacos. Bem rasgada. Bem feliz, como todos vêm. Bem dentro de mim, como por sorte, ninguém pode ver. Estou aqui, em pé o dia inteiro, sorrindo, enquanto a minha alma se senta atrás daquela porta e é esmagada todas as vezes que ela se abre. E ela abre-se o tempo inteiro. Sinto, e é o sentir algo por alguém que mais me dói, a minha garganta fica presa, a minha fala perde-se, as lágrimas querem cair e eu sinto que tenho de me afastar. Afastar para não sofrer mais. Eu sinto, e é só não me desejarem um bom dia que parece o fim do mundo. É só não falarem comigo que eu fico logo mal. Eu sou demasiado sensível, magoou-me com coisas pequenas, eu sou complicada e não sou suficiente. Mas no fim, eu estou bem. Bem saturada. Mas bem.
Como tem que ser e parecer. Afinal ninguém sabe, nem têm que saber.

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