A
minha necessidade de escrever soltou-se de novo e voltou-se para ti, a ti que
sei que não me queres amar, nem saber de mim, tão certo quanto o vento que sopra lá fora, tão
certo quanto o rio que corre a escassos metros da minha janela, não fosse esta
vista o pensamento que se foca sobre ti, e eu não estaria com o pouco que me
resta da minha sanidade mental. E depois? Dizem que quem escreve nunca está bem
da cabeça, talvez seja esse o meu problema, algo do foro psicológico que afeta
todo o resto do meu sistema, e continuando mesmo assim, a ser o menor das
minhas preocupações. Todas elas estão à flor da pele devido a variadas situações,
mas bem, sobre ti a situação muda sempre de figura. Tu és um assunto que nunca
pretendo tocar, aquele que mais dói e corrói a minha alma, todo o meu pequeno
ser, que sente que está cheio de dores vindo de ti. Sinto a minha garganta
presa por elas, elas querem tanto sair, mas eu mais uma de tantas vezes,
engulo-as e suspendo-as dentro de mim. Dói não te ter, dói que tu não percebes
que eu só quero a tua presença, dói saber que a minha infância foi passada à
tua espera e ainda dói mais quando me apercebi que afinal, tu nunca vais vir
para junto de mim. Eu nunca vou ter palavras suficientes para escrever sobre
este tormento que cada vez é maior, esta dor assombra-me e sinto que permanecerá sempre comigo. Ou sobre ti.
Afinal tenho de me lembrar de ti de alguma maneira, da pior como é óbvio, mas
isso foste tu que escolheste.
Pode ser que um dia comece uma carta destas e
acabe por expor todos os fantasmas, até lá vou vivendo assim.

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