"escrevo para salvar a vida de alguém, provavelmente a minha própria vida"

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013




 

Apressada ela tira as chaves da sua mala, quer tanto chegar a casa para se fechar no seu único conforto, aquele quarto. Pensa em como não sabe quem ela é ou no que se tornou, perdeu o seu caminho, e assim chorou como à muito tempo não chorava, havia chegado ao seu limite e sabia disso porque uma das coisas que ela mais evitava era chorar. Na verdade, ela tinha as suas razões para evitar, pois quando chorava tinha a certeza do quanto estava vulnerável, precisando de ajuda, procurando uma saída, completamente sem rumo... E não adiantava dizer que tudo iria passar ou que chorar iria fazê-la melhorar, já que naquele momento ela poderia sentir um alívio, uma melhora, mas quando toda a choradeira acabasse, depois de pensar e refletir um pouco, a dor ainda estaria com ela.


O choro foi passando, aliás de nada servia chorar pois não seria assim que resolveria os seus problemas.. Mas como os resolver? Como se encontrar? Ela queria deixar todo o seu passado para trás, todas as pessoas que lhe faziam mal, queria novas pessoas, novas histórias, queria começar do 0 para a sua vida ganhar algum rumo, queria mudar de sitio, mudar de faculdade, mudar de ares, queria fazer novas escolhas, mas como as fazer sabendo que poderá arrepender-se? E se não as fizer saberá que chorará todos os dias restantes por não ter dito a coragem de começar de novo. E nesta vida que ela se encontra, ela não quer mais estar, tem-se perdido constantemente. Chamem-lhe de cobarde, pensem que ela estará a fugir, ela só esteve demasiado tempo no mesmo sitio tentado consertar tudo, acabando por se destruir a ela própria. Chegou o dia de pensar nela, de fazer algum bem somente a ela.. Mas ninguém entende e por isso ela fecha-se não só no seu quarto, mas de tudo e de todos.


 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013




 


Eu mudei. Foi uma mudança aos poucos, porque até hoje me dou conta de coisas minhas que já não estão mais lá e quem roubou, eu até suspeito. O sorriso mudou e a vontade de sorrir para qualquer pessoa também. Foi por sorrir tanto de graça que eu paguei tão caro por todas as coisas que me aconteceram. Às vezes olho ao meu redor e vejo tantas raparigas parecidas comigo. Tanto sentimento gritando de bocas caladas e escorrendo pela cara. Tanta coisa acontece connosco. Tanta gente passa por nós, mas tão pouca gente realmente fica. E eu sei que, talvez eu tivesse que ficar triste. Talvez eu tivesse que continuar secando lágrimas, abraçando o vento e rindo no vazio, mas o facto é que eu não consigo. Eu não consigo mais ser triste só para mostrar que um dia eu fui - ou achei que tivesse sido - feliz. Aprendi com os meus próprios erros que sofrer não ajuda em nada, chorar não deixa mais aliviada e implorar não traz ninguém de volta. Aprendi também que por mais que tu queiras muito alguém, ninguém vale tanto a pena ao ponto de tu deixares de te querer. Eu que gritei para tantas pessoas ficarem, hoje só quero mesmo é que elas sumam de uma vez por todas. E em silêncio, que é para ninguém ter porque se lamentar.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013




 

Reconheço este sentimento que me abala o corpo, mesmo à distância. A surpresa de uma novidade, a necessidade de respostas, o medo de me enganar mais uma vez, a curiosidade das palavras; expressões; sentimentos. Já cometi este erro demasiadas vezes. Confiar sem desconfiar. Acreditar sem questionar. Vejo-me a perder o norte em mais umas de tantas bússolas estragadas que vou encontrando pelo caminho. Ainda assim não te consigo resistir. Tento encontrar motivos para esta minha ânsia de ti, mas apenas o silêncio se faz ouvir. Não quero sentir, mas sinto em demasia, quero não te querer e assim cada vez te quero mais. Poderia ter até mil motivos para te afastar, mas apenas um basta para me amarrar a mais um erro que parece que não conseguirei evitar: não há nada como arriscar. Por isso, apenas por mais esta vez e apenas por ti, irei fechar os olhos e avançar de coração aberto. Não deixarei o passado vir ao de cima, toma conta de mim.


sábado, 7 de dezembro de 2013




 


Para quê perder tempo com outra coisa, quando só tu me atrais?

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013




 


Ainda ontem aqui estavas deitado ao meu lado a aconchegar-me e a vermos televisão juntos. Ainda ontem
eu era criança. Tiveste aquele AVC sem previsão e a partir daí nunca mais foste o mesmo, mas isso nunca fez mal porque eu podia abraçar-te como nunca, eu podia encher-te de mimos e dizer-te o quanto gostava de ti, mesmo que às vezes não te lembrasses que eu era a tua menina, mesmo que não te lembrasses de mim ou do meu nome. Nunca fez mal, porque eu te tinha à mesma comigo.. Eu era tão nova, eu percebia tão pouco da vida, mas eu só queria estar ao teu lado nos piores momentos, acho que nesse ano o hospital foi a minha segunda casa e o coração apertava tanto de não saber se era naquele dia ou no outro que podias partir de repente.. Tu sempre foste tão forte, tu ainda aguentaste uns anos por todos nós e no momento em que estavas melhor, partiste sem avisar. E é neste mês, neste preciso mês em que eu delirava passar o natal contigo.. lembraste de abrirmos sempre os presentes juntos? Este mês faz 3 anos que tu partiste e deixaste uma saudade inexplicável dentro de todos nós, mas para mim todos os anos a tua morte repete-se, eu não consegui avançar no tempo, ele passa mas eu continuo ancorada no dia da tua morte. Que dor desconhecida é esta que me devora por todos os lados? Ainda ouço a voz da minha tia naquela noite gelada do dia 21 de dezembro "O avô morreu, não chores" e eu não chorei.. nem nesse dia, nem depois. Como é que só passado 3 anos estou a cair na realidade? É inexplicável, aquilo tudo pareceu-me tão irreal, eu não quis acreditar, e tu sabes que eu não acreditei durante muito tempo, mas chega de fingir, chegou a hora de fazer finalmente o teu luto, tu mereces todas estas lágrimas! Mas sabes avô, sinto-me culpada, sinto que não aproveitei o tempo que ainda havia contigo e gastei-o com a pessoa que me fez mais sofrer. Perdoa-me, eu faria tudo para ter o teu abraço mais uma última vez, para dizer o quanto te amo uma última vez. Será que quando partiste saberias o quanto te amo? Nunca te esqueças que tu és o meu pai, o meu confidente de todas as horas, o meu porto de abrigo, o meu fiel amigo, és o meu maior orgulho avô.


Continuo a dizer-te baixinho ao ouvido: Volta para junto de mim, por favor. Peço-te que não me faças desesperar mais. Não aguento a tua ausência e este espaço não me consola. Espero-te ansiosamente todos os dias da minha vida.


 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013







Levantou-se cedo. Dormiu mal e acordou cedo, a dor do seu
coração inquietou todos os outros órgãos e ordenou o seu cérebro que a
acordasse. Assim o fez. Abriu os olhos, as pálpebras estavam pesadas e
carregavam nelas o peso que o seu coração não conseguia suportar sozinho.
Obrigou o seu corpo a arrastar-se para fora da cama e todas as células a ele
pertencentes desmoronaram-se. Um grito mudo insurgiu da sua boca
originado pelo vazio sufocante do seu peito, que a todos os segundos a
relembrava do quão dependente era e da fraca em que se tornara. Rastejou até às
escadas e lá debruçou-se no corrimão, susteve a respiração pois não podia fazer
barulho nem acordar ninguém, o cérebro que anteriormente tinha ordenado os seus
olhos abrirem-se não tinha influência alguma naquele momento. Mil e
uma lágrimas estavam desejosas de serem soltas e os mil e um pedaços do seu
coração desejavam que ela as soltasse, mas os mil e um pedaços do seu cérebro
impediram-nas
. Prometera que ia ser forte, mas as fraturas em todo o seu
corpo, que nem o cérebro tinham deixado intacto, eram demasiado pesadas
para suportar sozinha
. Cada órgão tinha de se conseguir construir e curar
sozinho e apesar de dizerem que era apenas um coração partido doía-lhe o
corpo todo
. As borboletas que costumavam habitar no seu estômago tinham-se
extinguido, até o estômago se tinha ido embora, não havia comida que o
consolasse nem cheiro que o saciasse, talvez por ele já não mais existir ou talvez
pelo coração estar de luto e todos os outros pedaços do seu ser também
. «
She was a broken hearted girl ». Depois de descer as escadas e ao chegar ao
sofá, o seu corpo apenas caiu inanimado, nem a manta nem a lareira reconfortavam
a sua alma, consolavam apenas o corpo que estava coberto de arrepios que já tinham
percorrido todas as suas vértebras, tendo agora chegado ao seu pescoço. Um rio
de lágrimas podia nascer-lhe nos olhos que ela não as ia limpar com a manga do
robe, podia alguém chegar que ela não ia fazer força para contrair a gravidade
que continuava a atrair as lágrimas, podia a casa estar a arder que ela ardia
com ela. E então decidiu ficar ali, apenas ficar, e render-se à fraqueza.



segunda-feira, 2 de dezembro de 2013




 


Eu quis chorar, respirei fundo, mas contive todas as lágrimas, segurei a dor bem dentro de mim para mais uma vez não desabar. Cheguei a este ponto, ao que não sinto mais nada, estou completamente apática, olho para o chão e vejo o meu coração espalhado por aí, os remendos que ele já tinha desfizeram-se... e agora eu não tenho vontade nenhuma de me levantar, pegar neles um por um e voltar a cola-los, não dá mais. Estou cansada que me magoem, estou tão cansada em dar sempre um voto de confiança e me desiludir. Tenho hematomas por todo o lado, eu vejo-os, vejo também a minha alma a sangrar, mas já nem essa tem forças para pedir socorro. As esperanças foram embora de uma vez por todas.

Já não há pelo que lutar, nem por mim própria.