"Revejo-me nua. Apresentas-te em lágrimas. Boas, como estás? Farto-me de ti facilmente. Estás entranhado em todos os meus poros. Simbolizas a guerra à qual eu não queria aderir. Deixei-me dessas participações. Não passamos de clientes em busca daquilo a que chamamos de amor. Julgava-me de luto. Onde é a loja mais próxima? Procuramos fornecedores que nos levem ao limite. Tu eras um fuzileiro e eu perdi-me no decorrer da batalha. Confundiste-me as prioridades. Don’t you ever say I just walked away, I will always want you. Podia culpabilizar-te por todos os meus erros que tu nem te ralavas. Explica-me, passados anos de sobrevivência quem és tu para mudar o meu jogo? As minhas regras... Ainda que voltasses para algo. Mas não vais, nem vens. E as minhas palavras são o fio que nos une. Aliás que te unem a mim. E eras tu que dizias que me querias ser tudo. O que acontece agora? Qual é o próximo passo? Importas-te de me levar até à porta? Só vejo paredes, concluo-me presa. Onde é a saída? I put you high up in the sky and now, you’re not coming down. Não existem noites frias, o meu coração continua quente e recheado de amor iludido. Quero liberta-lo mas não sei como, quero deixar-te ir em troca de beijos desconhecidos. Conheceste-me, sentiste-me, amaste-me. Não é assim tão simples. É mais como quem dá uma queca e baza. Bazaste e deixaste-me a flutuar. Grito-te até me pores no chão. Ouve-me cabrão! Põe-me no chão agora, não quero mais, não aguento mais. Merda de veneno que me faz querer-te desta maneira e mesmo de costas voltadas eu espero-te daqui a dois quartos de hora enquanto mando fazer o bolo do nosso aniversário. A vida continua a ensinar-me coisas mas só os teus mandamentos é que fazem eco na minha cabeça. Quem é esta pessoa que escreve à mão? Quem é esta pequena de olhos borratados? Porque raio te escrevo a carvão? Porque é que me dou ao trabalho de me massacrar se mal vejo as linhas do papel? Estou às escuras. Decidi acompanhar o órgão que chama por ti e pelos vistos me mantem viva. Zonza com palavras e joelhos em sangue de todas as vezes que me mandaste ao chão. O teu olhar ainda brilha, cor de chocolate delicioso, paixão por outra, indiferença por mim. Imagino-vos de mãos dadas e sorrisos de orelha a orelha enquanto eu, deste lado, convido lágrimas a sair. Porquê? Sinto-me escura e vazia. Filho da puta, devolve-me. Quero a minha alegria de volta. Quero-me! Diz-me onde é que me escondeste! Tenho saudades... Do teu colo, do teu mimo, das tuas palavras, do teu sussurrar, da tua maneira de demonstrar sentimento. Nunca soubeste sentir o meu amor mas garanto-te que sempre esteve entre nós. Sentes agora? Consegues sentir-me? Ainda pensas em mim? Lembras-te de nós? Desejas-nos? Eu sei que não. De qualquer das maneiras, dava tudo para te ter de volta..."
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