Sei que agora, neste exato segundo, eu estou a ultrapassar as barreiras que
foram impostas a nós. Sei também que não devia estar a fazer isto, mas estou. Tu não tens noção do quão difícil está a ser
escrever-te de novo. A cada ponto final de cada frase o meu corpo estremece, as
minhas mãos suam e eu nem sequer cheguei a metade de tudo o que te quero dizer.
Aliás, acho que o fim nunca esteve de facto tão próximo. Mas hoje é diferente.
Eu não vim agradecer-te, porque já fiz isso em outros milhares de textos. Eu
não vim expor os teus defeitos ou as tuas más atitudes para comigo, porque isso
tudo também já foi revelado. Eu não vim, em hipótese alguma rebaixar-me como em
tantas outras vezes. Eu queria que tu soubesses que, querendo ou não, a tua
presença na minha vida foi um divisor de águas nela. Seria em vão dizer-te os
momentos bons, porque isso está cravado em quem eu sou. Ou melhor, em quem eu
fui. Aquela rapariga que não sabia mais respirar, viver ou sorrir sozinha, hoje
sabe - e como sabe! A verdade é que tu me magoaste. Do mesmo modo que me
reconstituis-te no início, no fim tu deixaste-me trilhões de vezes pior. Eu
pensei que contigo eu era alguém melhor, mas era comigo que tu te tornavas
melhor. Sabes? Eu perdi a conta de quantas vezes eu te quis de volta, nem que
fosse para dizer que estava tudo bem, que estavas comigo, que me ouvirias na
madrugada inteira se fosse preciso. Perdi a conta de quantas vezes quis ligar-te
para ouvir a tua voz, através dos meus soluços, o tamanho da minha dor. Perdi a
conta de quantas vezes implorei para sentir de novo, um pouquinho da felicidade
que era estar ao teu lado. Perdi a conta, perdi o rumo, perdi-te a ti e ainda
me perdi de mim. Pensei que viveria para sempre dentro de um pesadelo sem fim,
mas estava enganada. Uma coisa é certa: eu nunca fui tão transparente quanto
fui contigo. Nunca, em toda a minha vida, me expus tanto a um sentimento. Nunca
fiquei tão pele e osso na frente de alguém, mesmo que metaforicamente falando.
O que eu quero dizer é que eu fui quem eu jamais pensei que seria.
Tu
transformaste as minhas partes más em partes toleráveis e as minhas partes
boas em partes invejáveis.

Identifiquei-me tanto!
ResponderEliminarobrigada linda, também sigo ((:
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