"escrevo para salvar a vida de alguém, provavelmente a minha própria vida"

domingo, 3 de março de 2013













E eu percebi finalmente que isto
não é paixão. É pura ilusão. Baseia-se tudo em memórias de algo que fui
perdendo por entre verdades e mentiras. Olhares e sorrisos. Beijos e abraços.
Do que fomos, só resta uma pequena e gigantesca saudade em simultâneo. E um
conjunto de caprichos. Mas, não me fico pela saudade. Não me fico pela dor.
Fico-me pelo nada. As recordações não me fazem sentir nada. Nem a mais
minúscula lágrima escorre pelo meu rosto ou teima em cair. Já não sinto o meu
coração gelar e a minha alma sangrar. Perco-me cada vez mais neste meu mundo de
nada. Porque no mundo real, não me encaixo. O medo não me assusta mais. E no
silêncio dos olhares que nunca se cruzaram, os meus gritos fazem-se ouvir. Sem
dormência, dor, raiva ou tristeza. Não consigo importar-me mais com quem não
sente o mais pequeno remorso em deixar-me. Sem olhar para trás. Importo-me
comigo. Valorizo-me a mim. Penso em mim. Egoísta ou não a vida é minha. E se eu
não estiver feliz, ninguém estará por mim.

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