Cala-te, por favor. E nem sequer ouses dirigir-me qualquer
uma dessas tuas palavras quentes porque esta noite estou exausta. Estou esgotada, cansada.. prinicpalmente dessas tuas falsas palavras, hoje preciso de dormir, fechar os olhos e encontrar o caminho certo,
preciso da voz certa, de espaço, de sombras e de calor. E fica a saber que é apenas pelo fogo que autorizo a tua impossível presença neste espaço irreal e perturbador. Graças a ele, podes vir, mas vem calmamente, sem fazeres barulho, em paz... tréguas? O teu perdão pelo meu veneno, a minha luz
pelas tuas sombras, os meus sim's pelos teus não's, a minha alma pelo teu
sangue.
Cala-te. Para quê tudo isso? Vais repetir outra vez que te arrependes? É isso? Será mesmo? Para quê? Para que eu te possa dizer que também sou culpada por
jogar aos dados com o destino? Para que possas enfim sofrer devido à minha
tortuosa narração de factos absurdos e mais reais que a nossa própria
existência? Por favor, cala-te. Cala-te para que eu não tenha que falar. Cala-te porque estou cansada que estes ridículos vinte e quatro caracteres sejam
a nossa convivência intima. Cala-te, não vês que estou cansada? Que estou
exausta de tantos jogos de espelhos? Parecemos dois malabaristas a tentar
equilibrar infinitas existências paralelas nas nossas duas mãos humanas e
imperfeitas. Cala-te, não me faças chorar. Não vês que as nossas lágrimas são
em vão? Não vês que elas nunca nos irão levar a lado nenhum e que tudo isto me
assusta mais que o azul infinito ou que qualquer deserto ardente? Tenho medo,
por isso cala-te por favor. Hoje vamos apenas esquecer o mundo e amar-nos em silêncio.

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