"escrevo para salvar a vida de alguém, provavelmente a minha própria vida"

segunda-feira, 4 de março de 2013







Era uma da tarde quando ele decidiu
partir. Tudo bem, vai lá. Eu estou calma,
como vês podes ir. Vai, vai. E ele ia.. E eu repetia: podes ir, eu estou bem.
E eu
queria dizer: fica, fica, tudo está mal. Mas claro, ele ia. E eu sorria. Era uma e meia da tarde quando deixei de o ver. E logo
disse: por favor que alguém entre na a minha vida. Ele que siga o
caminho dele e
alguém que cruze o meu. E assim foram noites tristes, mas dias melhores.
Longe da
depressão, mas tristeza profunda. Poucos dramas, mas muitas vontades. "Estás bem? Hã, como estás? E ele, foi
embora? Que
triste…" – diziam-me. Ah, claro que foi. Que pergunta exageradamente
idiota. Ele
alguma vez quis ficar? Ele foi. Mas não tarde ele aparece por aí.
Há-de aparecer. Hum, para estragar toda a minha vida. E assim é. Bem o
conheço. O relógio marcava sete horas, depois de meses e ele lá apareceu. Mas
como pode isto acontecer? Não estragues tudo agora. Aguenta firma. Olha essas pernas a
tremer! Disfarça rápido! E a luta? E as forças vindas do além? E
todas as barreiras ultrapassadas? Finge que ele não está. Ah, ele nem está.
Quem é? Nem conheço. Quase assim. Tum-tum-tum-tum-tum. Calma aí coração. É só
um rapazinho que não sabe nada da vida. E o coração, por entres as batidas,
sussurrou-me: não sabe nada, mas só por aparecer no teu campo de visão sabe
baralhar a tua vida, mais que ninguém
.

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