"escrevo para salvar a vida de alguém, provavelmente a minha própria vida"

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013









E desta vez será que
vale a pena pedir-te desculpas? Certamente não irás dizer-me que não, por mais
que o queiras. Eu não estou a gabar-me, não estou a dizer isto da boca para
fora, mas eu tenho certezas de que tu deixaste de saber o que é viver sem mim,
desaprendeste a chorar sem o meu ombro para te consolar, deixaste de procurar
um porto de abrigo diferente da tua preciosidade. Eu hoje assumo todos os meus
erros, assumo que estive à beira do precipício, tive quase para te perder de vez,
mas sei que o destino não o quer. E se acredito no destino? Se acredito em
promessas? Se acredito na eternidade? Se acredito que haja paixão para além do
amor entre casais ou pessoas apaixonadas? Claro que sim, porque se isso tudo
não existisse, como é que eu e tu teríamos sido o que somos hoje? Como é que
poderíamos ter chegado onde chegámos? A este ponto? Como é que eu e tu,
separadas por milhares de quilómetros teríamos superado milhões de guerras,
discussões, e teríamos arranjado força e garra para ultrapassar milhões de obstáculos?
Como é que teríamos feito ouvidos de mercador a bocas foleiras e teríamos
tapado os olhos a olhares invejosos? Como é que teríamos construído um nós -
complexo de duas pessoas, separadas por milhares de quilómetros, preenchidos pela
saudade e sentimentos verdadeiros – passando por cima de tudo e de todos? Eu
sempre vivi na certeza de que o nosso amor seria superior a tudo. E que o que
nós partilhámos não são coisas que se partilhem com qualquer pessoa. Se tu me
conheces realmente, sabes que eu faço o que faço porque sou confusa, ciumenta,
insegura, tenho a mania da perseguição. Mas também sei que eu não era assim,
que eu não tenho motivos para o ser e que tu deixaste de me conhecer. Porque é
que te falhei? Como não fui capaz de cumprir a nossa promessa? "Nunca te
falho" foi o que te disse, vezes sem conta, mas da mais honesta maneira
que alguma vez disse a alguém – e tu acreditaste sempre em mim, porque me amas
- Falhei-te vezes sem conta, sem nunca te explicar bem o porquê, fingindo que
era algo muito fácil, sem dar cobertura aos estragos que iria provocar, sem
pensar no quanto isso te iria magoar. Porquê? Porque é que te falhei? Não foste
perfeita? A culpa foi tua? Não é fácil, eras a última pessoa que eu podia
deixar e falhar assim. Eu vou deixar de te falhar – vou (tentar) cumprir esta
promessa como não cumpri as outras - independentemente dos meus medos, vou
viver contigo num lugar incrível, maravilhoso, diferente mas verdadeiro, vou
levar-te comigo para a eternidade, porque após tantas perguntas que me fiz (em
cima) e não soube responder, espero obter respostas da tua parte quanto a mim.
Pois tu, conseguiste ser sempre a minha consciência, a minha mais que tudo, a
minha verdadeira. Mesmo que por vezes não tenha parecido, eu sempre estive
disposta a ajudar-te, mesmo depois de termos falhado mutuamente vezes sem
conta. Diz-me o quão forte tiveste que ser para conseguir passar por cima de
tudo. Diz-me, ao certo quantas vezes te magoei. Diz-me, quantas vezes sentiste
que te disse “amo-te” sem honestidade. Diz-me por favor, se tiveste que ser
muito forte e se valeu pena. Porque eu não sou forte, sou frágil e estou
cansada de te ver ir abaixo por mim. Por isso diz-me, quantas vezes tiveste que
suportar as minhas arrogâncias, as minhas crueldades. Depois te tanta porcaria
que te fiz, consegues continuar a amar-me? Eu sei que tu não és a pessoa mais
forte do mundo e sei que já estás cansada. Quanto mais continuas a lutar, mais
te cansas e te fartas de ser a única a lutar – ou pelo menos lutas de maneira
diferente ou eu se calhar não mostro que também o faço - mesmo assim é a nossa
relação que rasgo cada vez que te falho. Já não consigo sequer olhar para mim
mesma, já nem consigo sequer acreditar em mim. Diz-me se estás disposta a ajudar-me
a mudar, dando-me certezas que não tenho motivos de te falhar desta maneira ou
se vais ter que continuar a ser forte para suportar as minhas merdas. As
palavras esgotaram-se: o meu objectivo é estabilizar as coisas contigo.

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