"escrevo para salvar a vida de alguém, provavelmente a minha própria vida"

sábado, 10 de novembro de 2012







Ele nunca foi a pessoa certa, eu sempre soube. Ele
não fazia todas as minhas vontades, não me demonstrava carinho o tempo
inteiro. Deixava-me de lado quando queria e voltava quando queria
também. Assim, dono de tudo. Mandando e desmandando em mim. Ele nunca
foi a pessoa certa, se a pessoa certa for aquela que não nos faz chorar,
nem sofrer. Porque perdi a conta de quantas noites passei suplicando a deus para que me fizesse esquecê-lo ou simplesmente chorando por ele me
ter ignorado de alguma maneira. Ele nunca se importou em me deixar algo que me fizesse lembrá-lo, ele nunca me acordou de madrugada mandando-me uma mensagem a dizer
que não conseguia dormir por pensar em mim, nem me ligava todas as noites só para me desejar uma boa noite ou só para ouvir a minha voz. Mas ele, ele sabia exatamente como e quando me
fazer sorrir. Aquela pose de sério e durão acabava quando ele me via a chegar perto e sorrindo daquele jeito que ele gostava. E quando ele me
abraçava, eu não sentia falta de mais nada. Nem de palavras bonitas,
nem que ele gritasse para o mundo que ele sentia o mesmo que eu sentia por
ele. Nada, nadinha. Os braços dele em volta do meu corpo era o
bastante. E quando depois de dias ele me ligava a avisar que queria estar comigo, eu poderia
estar ocupada ou com raiva o bastante para negar. Sabem o que é que eu fazia?
Largava tudo. Largava tudo e aceitava. Largava tudo e não pensava em
mais nada
. Só no quanto seria bom ter a companhia dele. Ele podia ser a
pessoa mais impaciente do mundo, mas ele nunca deixou de atender alguma chamada minha, mesmo que fosse de madrugada a chorar a pedir para ele
ficar comigo. Mesmo que ele não dissesse nada e eu ficasse apenas a ouvir a respiração dele do outro lado da linha. Ele acreditava em mim. Mal sabe ele que a força que havia em mim era tudo o que ele
me fazia sentir. Era ele e só ele que segurava na minha mão quando estávamos
sozinhos. Sorria sem jeito, nervoso. E eu podia sentir em cada palavra,
em cada beijo na testa ou na ponta do nariz, o quanto eu estava certa
em pensar que no fundo ele gostava de mim
. Ele não ficava junto a mim o tempo inteiro quando saíamos
juntos com mais alguns amigos, mas os olhares de ciúmes quando eu
cumprimentava alguém de um jeito mais terno, fazia-me ver que ele se
importava, que ele cuidava de mim. Do jeito dele, mas cuidava. Eu
sabia dos problemas dele, dos medos, das discussões diárias, das
inseguranças… tudo. Melhor que ninguém. E ele também sabe. Sabe que
nunca vai encontrar alguém que o conheça tão bem quanto eu.
Alguém que o
suporte e o entenda.
Alguém que veja o lado fraco e sensível dele sem
julgá-lo com nenhuma palavra. Ele sabe. Eu sei que sim. Do mesmo jeito
que eu sei que nunca encontrarei alguém que me conheça tão bem quanto
ele. Alguém que me aceite além dos meus defeitos como ele.
Alguém que saiba de todas as minhas necessidades, de todas as minhas
manias, de todas as minhas inseguranças e desejos. Ele sabe que o
conforto que eu encontrava nos braços dele, nenhum outro será capaz de
me dar.
Ele sabe que nenhum outro irá acordar com mais de 20 mensagens por eu estar preocupada. Ele sabe que
nenhum outro irá achar graça ao meu jeito irónico de falar quando estou
com ciúmes. Nem quando eu me fingir de chatiada só para picar. Ele sabe de tudo. De tudo. Ele nunca foi a pessoa certa, eu sempre soube.
Só que eu nunca quis uma pessoa certa.  


E é por isso, por ele ser todo
errado, que ele sempre foi o certo para mim.

2 comentários: