Tu consegues estar e reunir todas as
coisas. Tu tiras-me do sério, viras-me do avesso. Tu consegues estar em
todas as possibilidades e sair delas com essa mesma facilidade que
entraste. Tu consegues fazer-me não querer seguir em frente. Tu
sempre soubeste como me fazer querer desistir e às vezes bem tentas, mas eu sou mais forte que tu.
Mas é que antes de tu aprenderes a ir, tu aprendeste também a como me fazer
voltar ou tu próprio a voltar. Morder e assoprar. Tu consegues ser paz e fé, mas consegues ser ainda mais
incerteza e dúvida. Tu mudas junto com as estações do ano, numa hora tu
queres uma coisa, depois mudas logo de ideia. Eu quero
pedir-te para ficar, mas quero não precisar de pedir. Sou um problema, eu sei.
Não dá para me entender. Mas és tu mesmo que me deixas assim. Eu sou previsível. Eu sou lembrança mas tu és memória. Eu estou na tua cabeça agora, tu nunca chegaste a sair da minha.
Quem entende isto? Porra, nem eu entendo. Eu sou simples e ao mesmo tempo complicada.
Mas sabes? Tu fazes uma falta enorme quando estás longe e uma presença insuportável
quando estás perto. Eu bebo-te mas depois quero-te cuspir. Irónico não? És que tu
complicas tudo. Não sabes dizer sim ou não, porque te recusas a perder
alguma coisa. Eu sou assim mas só contigo. É só contigo que eu quero mas
tenho um medo absurdo e ridículo de perder. É que nós somos o contrário. Eu sou sensível, tu és arrogante. Eu digo as coisas sem pensar, mas és tu que ages desse jeito. Tu consegues tirar-me do sério, como sempre costumas
fazer. E estás a fazer-me ficar aqui e não abrir mão de ti. Como sempre também.
Esses são os teus maiores dons e consecutivamente, os meus maiores problemas.










