Eu já devia ter feito isto há muito tempo, mas enfim. Eu na verdade fui idiota, mas não sou, eu fiz-me de cega, surda e muda, fingi que nada estava a acontecer, e continuei a quebrar o meu coração, fiquei quase sem a minha pobre alma. Acreditei em tudo, acreditei em tudo que sempre foi nada, acreditei em coisas que só eu criei, coisas que eu pensei existir, mas só existiam para mim. Eu magoei-me, perdoei, ah… como eu perdoei, cada erro, cada falha, cada tropeço, perdoei cada lágrima, cada sorriso, cada noite mal dormida, cada dia chato, cada conversa sem assunto, cada pensamento. Perdoei tudo. Fui compreensiva, e isso foi o que eu mais fui, sempre tentei entender o que estava a acontecer e entender o outro lado e não olhar só para o meu. Deixei o meu orgulho de lado, coisa que eu não faço, coisa que eu não sei fazer. Enfrentei saudades, falta, tristezas, mentiras, distâncias, angustias. Enfrentei tanta coisa para nada, quebrei o coração para nada, dei oportunidades para nada, perdoei para nada. Eu sempre fui nada.

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