"escrevo para salvar a vida de alguém, provavelmente a minha própria vida"

quinta-feira, 2 de maio de 2013







Todos os dias eu penso: podia sentir menos e menos e
menos. Mas não adianta, tudo me atinge, abala, afeta, arrebata,
maltrata, alegra, violenta de uma forma absurda e intensa. Nasci para ser
intensa e dramática. Nunca sei direito se a vida me fez assim ou foram as
situações que fizeram com que eu me tornasse assim, não sei. A
última e única coisa que lembro é de sentir. Eu sinto o sentir. Sei que
parece loucura, mas é verdade, é real, sinto demais. A realidade consome-me. Mas consome-me e-xa-ge-ra-da-men-te. A vida maltrata quem
sente demais. Quem sente demais acaba sofrendo mais do que a maioria das
pessoas. Tudo importa, tudo é exagerado, tudo é sentido de corpo e alma.
Alma, principalmente.

segunda-feira, 29 de abril de 2013










Eu acho que sempre tenho razão e quando as minhas previsões dão
certo, eu olho com a cara mais abominável do mundo, dou um sorriso irônico e falo o
clássico eu-avisei-te. É que, em geral eu tenho razão. Esta é a primeira – e
mais importante – coisa que tu precisas de aprender a meu respeito. Não sei
receber elogios, fico sem saber o que fazer, atrapalho-me e acabo por trocar de
assunto – quando não troco as pernas e tropeço em algum canto de mim. Sorrio
para disfarçar desconfortos. Se eu não gosto de ti é bem provável que tu
tenhas medo do meu olhar. E eu posso simplesmente não gostar de ti de graça.
Se eu gostar de ti aviso de antemão que tu és uma pessoa de sorte. Eu entrego-me. Quem vive comigo sabe. Quem convive comigo sente. Eu amo poucos. Mas
esses poucos
, podes apostar, eu amo muito.