Exausta. Exausta da dor, do cansaço, de suportar as duras palavras dos outros, de confiar e me decepcionar, exausta de não me importar, de amar, apenas exausta das pessoas, dos sentimentos, de mim própria, do mundo. É como se eu levasse sobre as minhas costas todas as dores do
mundo. Todos os pés cansados e as minhas mãos calejadas. É muita coisa para uma só
pessoa. É muito peso para alguém como eu. E é complicado. Porque ninguém
entende. Ninguém é capaz de perceber que estou a desabar, que estou a cair aos poucos e poucos, cada vez mais fundo.
Ninguém vê que eu não sou tão forte como aparento. Ninguém se oferece
para dividir o peso comigo. E eu não consigo encontrar nenhuma solução. Nada
que seja capaz de aliviar. Então eu enfrento tudo sozinha. Passo por
tudo sozinha. Porque sempre foi assim e sempre será. A dor e o cansaço são
meus e ninguém é obrigado a ter compaixão. Só preciso aprender a
disfarçar melhor. Porque todo este peso já está a fazer-me curvar as costas. E não quero, não posso e nem vou deixar que ninguém me veja de
cabeça baixa.

