"escrevo para salvar a vida de alguém, provavelmente a minha própria vida"

quarta-feira, 2 de outubro de 2013


O copo vazio, o corpo cheio, o coração indeciso, a coragem, o devaneio. A descoberta parada, a saudade calada, a esperança cansada e a vontade de ser amada. O medo de perder, a angústia de esquecer, a incoerência de não ver, a desventura de não ter. Os beijos roubados, os abraços dados, corações apertados, delírios evaporados. Os gritos roucos, os desejos loucos, a verdade de poucos e a mentira de outros. O copo encheu-se, o corpo perdeu-se, o medo esqueceu-se e a mentira abandonou-se. Caindo, caindo, caindo… Deixando-me pouco a pouco, matando-me muito a muito. Esquece-me, porque de mim já não lembro mais...

terça-feira, 1 de outubro de 2013




 


 


 


 


 




No fundo, no fundo eu sou frágil. Gosto de parecer uma pedra de gelo, uma barra de ferro, mas no fundo, sou um pedaço de vidro, um papel de carta que se não tiverem cuidado se pode rasgar, um enfeite de estante que quebra. O meu lugar é no colo de alguém que saiba cuidar de mim, que saiba dar de si. Eu preciso de cuidados, por mais que eu diga que sei o que ando a fazer, por mais que eu diga que sei cuidar de mim. Ninguém é forte o bastante a ponto de conseguir viver sozinho. Ninguém é tão forte quanto dizem ser. Todos nós precisamos de um carinho, de um aconchego quando a coisa aperta. O problema é que queremos que as pessoas entendam como nos estamos a sentir, mas a verdade é que nem nós mesmos sabemos. O problema é que existem pessoas que se importam, mas não acreditamos em nenhuma delas. É uma espécie de paradoxo. Fugimos na intenção de que alguém nos procure. Vamos embora na intenção que nos peçam para ficar. Não dizemos, mas queremos que percebam.