"escrevo para salvar a vida de alguém, provavelmente a minha própria vida"

domingo, 5 de agosto de 2012







Quantos mais sentimentos tu obteres por alguém, quanto mais tu te entregares, quanto mais tu correres atrás, mais vais ser desvalorizado por quem queres, vais perder todo o valor que ainda te resta do teu passado. O facto, é que nem sempre perder é sinal de valorização, porque tu vais querer ir-te embora para que o teu "amado" note a tua ausência, mas ele nunca vai sentir a tua ausência, vai ter pena de ti, vai dizer-te na cara que tu foste fraca e desististe dele e de vocês e tu vais acreditar mais nessas palavras duras, do que no "amo-te" que já foi dito pela boca dele, vais tentar fazer de tudo para lhe provar que ele é o único que te merece, até ao dia em que as tuas forças acabam, as tuas lágrimas secam, e o teu orgulho é mais forte que qualquer amor que tenhas por ele. Vais novamente descobrir o teu amor próprio, vais perguntar como foste capaz de aceitar tantas mentiras, vais perguntar como perdeste tanto tempo da tua vida a perguntar e lutando por algo que nunca valeu a pena, e outras perguntas tu vais fazer, e aí as respostas vão ser nulas, como tudo o que viveste com ele. Depois de tudo isto, tu vais tentar encontrar outro coração que te aceite, que te respeite, vais tentar encontrar-te no corpo de outro alguém e partilhar/viver coisas que viveste com o do passado e ele ao ver isto vai querer voltar e tu? Tu vais deixar que tudo o que pode vir a durar para sempre acabe, vais destruir tudo aquilo que te devolveu o sorriso, mesmo sabendo que não vais ser valorizada, mas sim usada pelo teu passado, e no fim? Ele acaba por ir e tu acabas por ficar sozinha, a tentar reconstruir tudo de novo, a tentar pôr as culpas em alguém e nessa altura vais-te lembrar, e dizer “Porque voltei? Porque não fiz as coisas de outra forma?” 





adaptado de um outro texto

sábado, 4 de agosto de 2012







Ela tentava ser forte. Por muito tempo ela conseguiu. Ela não confiava em ninguém, pois depois de tanto ser magoada em quem ela poderia confiar? Parecia ter sido feita de ferro, sempre controlada, indestrutível… Ninguém sabia que essa rapariga forte chorava todas as noites. Derramava lágrimas e lágrimas por causa de um ressentimento antigo. No dia em que ele se foi, levou o coração dela consigo. Ela lembrava de cada palavra, de cada detalhe. Tinha tudo para ser mais um dia normal, mas tornou-se num dos piores. Ela teve que ver ele a ir embora, sem derramar uma lágrima, sem questionar, sem exitar, pois a decisão dele já tinha sido tomada. "Eu não to olho da mesma forma que olhava a alguns meses atrás. Eu tentei sabes, mas eu não consegui. O passado nunca vai desaparecer" Essas palavras eram como navalhas, cortando o seu coração lentamente em minúsculos pedaços. "O que fazer agora, como seguir em frente assim?" - ela questionava-se. A sua decisão foi ir pelo caminho mais difícil. Não se abrir com ninguém, tornar-se fria, rude, apenas seguir em frente pelo necessário, esquecendo os sentimentos. Quando pensamos mais com o cérebro e esquecemos um pouco do nosso coração, as coisas ficam mais fáceis. Era isso que ela estava a fazer.. Sem envolver-se sentimentalmente com nada, seguia a sua vida. Perguntava-se se algum dia poderia confiar em alguém de novo como havia confiado nele, a resposta provavelmente seria não. Um coração magoado não volta ao normal assim tão facilmente, sempre existem lembranças para impedir que isso aconteça. 


Mas parece que essa rapariga nem sempre conseguiu não se envolver, nem sempre conseguiu esconder e controlar sentimentos, e agora ele voltou.. E ela pergunta-se constantemente o que fazer agora?